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13 de mar. de 2012

Quando o coração diz que está com saudades...

Eu tenho um grande amigo chamado Flávio Henrique... quer dizer, eu tive um grande amigo chamado Flávio Henrique. Amizade desde o tempo em que éramos adolescentes. Desde o início nasceu uma grande amizade que durou quase 20 anos. Éramos inseparáveis! Como diz o ditado, éramos 'unha e carne'. Nessas quase duas décadas viemos, no mesmo período(eu vim um pouco antes), para Goiânia. Continuávamos muito ligados. Tínhamos a mesma paixão pela música. Cantar, cantar, cantar... Ele era dono de um tenor maravilhoso. Eu? Bem, eu era(sou) dona de um soprano não tãããão maravilhoso quanto o tenor dele, mas, dava para o gasto. Depois de um tempo, cada um seguiu seu caminho, com direito a alguns telefonemas de vez em quando e alguns encontros "ao acaso" aos finais de semana. Nos distanciamos... mas, só fisicamente. A vida de gente grande tem dessas coisas, infelizmente. 
Há pouco mais de 3 anos ele me ligou e disse que tinha uma doença grave. Desmoronei completamente! Eu que deveria ser forte, fui consolada por quem necessitava, naquele momento, ser consolado! Fui visitá-lo várias vezes. Estávamos confiantes com a recuperação. Contudo, as coisas ficaram difíceis para ele. Mas, por ser tão querido, tinha várias pessoas que torciam por ele, ao lado, principalmente sua família. Sua mãe(grande amiga de minha mãezinha) foi uma GUERREIRA! Fui visitá-lo no início de novembro de 2009. Alguns dias depois me ligaram avisando que ele não estava NADA bem. A frase que recebi e que JAMAIS esquecerei foi, "Joicy, seu amigo está nos deixando". Cheguei no hospital 15 minutos depois dessa ligação, com a esperança de que fosse um alarme falso. Acreditando que ainda poderia falar com o querido Flávio. Ele já havia partido. Inacreditável! Sim, essa foi a palavra que veio à minha cabeça. Pois, a gente sempre quer acreditar que as coisas irão melhorar... Acho que o nome disso é esperança. Mas, nem sempre nossa esperança se completa do jeito que desejamos! Infelizmente...
No entanto, vocês devem estar se perguntando porque resolvi escrever sobre algo tão triste, mas o motivo é simples. Essa noite, sonhei com o Flávio. Dois anos e quatro meses depois de me despedir definitivamente dele, tive meu primeiro sonho com meu amigo. Sonhei que estávamos num parque que fica atrás do meu prédio, sentados na grama, à beira do lago. Não me recordo o que falávamos(ou se falávamos algo). Nem sempre me recordo de meus sonhos. Mas, o assunto deveria ser divertido, pois gargalhávamos muito. Acordei com um misto de alegria e tristeza... com o peito apertado... com um nó na garganta. Acordei com algo que só conseguia definir como saudade. Sim, saudade! Aqui, outra palavra. Então, recordei-me de uma poesia que gosto muito, do Pablo Neruda.
Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda
Imagem daqui
Então é isso... sem muitos rodeios, finalizo meu post.
Beijinhos...
Câmbio, desligo!!

29 de nov. de 2011

Beleza do cotidiano... momento mamãe coruja!

Olá, pessoas!!!

Sábado passado fiz uma visitinha à escola de meu filho, Gustavo. Foi um dia especial, em que as crianças nos mostraram os trabalhos desenvolvidos durante as aulas de Artes Plásticas, Teatro, Espanhol e Informática. (A disciplina de Música ficou de fora, pois sua culminância será no dia 5/12, com um recital. Meu garoto estará tocando escaleta. #MãeCorujaModeOn :D) 

Foi tudo lindooo e bem organizado... todas as produções estavam bem a cara das crianças! Fiquei encantada!!!

Durante o último bimestre, nas aulas de teatro, meu lindão fez um trabalho belíssimo a respeito da escritora Cecília Meireles. 
 Cecília em uma das fotos da coleção de Alexandre Carlos Teixeira, seu neto

[Darei uma paradinha pra papear sobre outra coisinha: Estava me lembrando dessa febre que caminha pelas redes sociais, de maneira mais descontrolada lá pelas bandas do RostoLivro, onde as pessoas têm citado diversas frases e textos e nomeando erroneamente, como sendo de diversos autores conhecidos(muitas vezes desconhecidos por esses compartilhadores), inclusive da querida Cecília. Fiquei pensando que esses deveriam se interessar em pesquisar um 'cadim' mais. Pois tem surgindo cada pérola... acho que o amigo Jaime Guimarães concorda comigo! rsrsrs... Aliás, #FicaDica para quem quiser dar uma 'curiada' nesse texto que li há algum tempo => Blog Grooeland - Citações literárias. Eu indico!!!]

Continuando... Meu filhão achou muito bom pesquisar um pouquinho sobre essa fantástica mulher e conhecer algumas de suas obras. Demoramos alguns dias realizando essa pesquisa. Foi uma viagem maravilhosa! Gustavo adorou... eu também! Como culminância desse trabalho, a turma toda fez várias dramatizações com poesias da autora. Meu filho e outros 4 colegas apresentaram o poema "Ou isto, ou aquilo".

Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
                                     Cecília Meireles
Foi de encher o coração de orgulho! Cof, cof... Com lincença que vou alí buscar um babador e já volto... babei colorido meeeessssmo!!! hihihihi
Ao final, o professor pediu que cada um, se desejasse, retirasse um papel de dentro do envelope que estava pendurado na parede. Fui presenteada com a seguinte poesia...

Motivo
 
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
                                                             Cecília Meireles
Então é isso... aqui finalizo meu momento "relatos de uma mãe babona"! Aos engraçadinhos, eu disse bAbona e não bObona... :P hihihihi
 Não poderia deixar de complementar com esse poema que tanto amo, Retrato... na voz do eternamente queridinho de meu coração, Paulo Autran.

Obrigada pela visita e não deixem de comentar.
Câmbio, desligo-me...