29 de mar de 2013

Dois anos... dois dias...


Dois anos era a idade que eu tinha quando perdi minha avó paterna e, hoje, 28 de março de 2013, fazem apenas dois dias que perdi minha avozinha materna. 

Um número apenas e tanto significado contido nele. 

Quando eu tinha dois anos, não possuía maturidade para entender o quanto a perda de minha avó era dolorosa, mas fui crescendo e ouvindo coisas boas à respeito dela. Uma pessoa de coração bom e que deixou saudade imensa. 

Agora, dois dias depois de perder minha outra avó, pude sentir de forma mais forte o gosto da dor e da perda. Principalmente, pude sentir o gosto do sofrimento de minha mãe...

Mãe, uma palavra com pouco mais de duas letras... apenas três. Tanto significado!

Tudo isso me fez pensar no quanto é interessante a forma como a morte chega e nos deixa com aquele sentimento angustiante rondando... assombrando! A morte é uma danada que por mais que tenha certeza de sua chegada, jamais estarei preparada para encará-la. Vendo o sofrimento de minha mãe, foi inevitável bater aquele receio de perder essa parte tão importante que há de mim, minha mãe. A verdade é que mãe deveria viver pra sempre... Mas, o jeito é espantar esse assombro pra lá e tentar não ficar pensando nisso.

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Esse texto faz parte de uma Blogagem Coletiva comemorativa do blog Escritos Lisérgicos, do querido blogosférico Christian V. Louis. O tema sugerido foi "Dois anos" onde poderíamos escrever qualquer coisa a respeito de dois anos.

Cris, me desculpe por um texto tão melancólico. Eu queria ter escrito algo mais alegre, afinal, seu blog está fazendo aniversário, contudo foi o que meu coração liberou por meio dos dedos psicopatas. Sacomé, né? Tem dia que... enfim...


Ps. Esse texto foi escrito ontem(28/03), mas infelizmente meu blog deu "bug" e não consegui publicá-lo. Não mudei a data que está no início dele pois perderia o sentido... então é isso!

Beijinhos...
Câmbio, desligo!

ATENÇÃO: Eu adoooro demais estar no universo blogosférico. Muito mesmo! Contudo, precisei me ausentar. Esta ausência começou de forma bastante tranquila e por "tranquilo", me refiro ao fato de ter parado de acessar sem forçar a barra, sem sofrimento e, principalmente, antes que o botão "PERIGO" precisasse ser acionado. Apenas deixei de lado, por conta de outras questões que no momento se mostraram mais importantes.
Tenho muitos amigos blogosféricos no facebook e twitter(apesar de estar pouquíssimo neste último)... então nos vemos por lá!

10 de mar de 2013

Lute, dance, erga-se!

Olá, queridas e queridos do meu universo blogosférico!
Antes de vocês lerem o texto a seguir, gostaria de pedir que assistam o vídeo abaixo. É curtinho e emocionante!!!
Na madrugada passada eu assisti o filme mexicano "Violet Perfume", que retrata uma história real de duas adolescentes, onde uma delas sofre abuso sexual.
Imagem daqui
Não, não é uma mega produção, mas, ainda assim, achei um bom filme e indico, pois fala de um assunto ainda muito necessário de ser discutido e principalmente, um tipo de crime que precisa ser combatido com todas as forças. 
Imagem daqui
Eu nem ia comentar sobre a película aqui, mas hoje parece que tudo o que li acabou tendo relação com o assunto "violência contra a mulher". Entrei na página da folha de São Paulo para ver as notícias do dia e li que um pai "caçou" o agressor de sua filha durante os últimos 8 anos, e mesmo sabendo que o canalha havia fugido para Portugal, continuou lutando por justiça e nesta semana, finalmente, conseguiu com que o criminoso fosse extraditado para o Brasil. O mais triste é ler ele dizendo que sua filha sofre até hoje, por conta da violência que cometeram contra ela(claro que sofre!!!). 
Imagem daqui
 
Diante disso e tantas outras notícias em relação ao tema em questão, sinto que devemos tentar fazer algo para mudar essa situação. Neste mês de março, participarei do evento Um bilhão que se ergue em Goiânia, que acontecerá dia 30/03. Vamos dar um passo adiante, na luta contra toda essa violência.
  
Para quem não sabe:
"O “Um bilhão que se ergue” (One billion rising) ou V-Day, é um movimento ativista global, realizado anualmente no dia 14 de fevereiro, para acabar com a violência contra mulheres e meninas, inspirado pela autora, dramaturga e ativista Eve Ensler, que relata ter sido fisicamente e sexualmente abusada por seu pai quando era uma criança
Teve sua primeira edição em São Paulo, sábado, dia 16/02/2013 no Museu de Arte de São Paulo (MASP). A data oficial foi mudada devido a atividades realizadas durante a semana (trabalho, escola, etc) que impossibilitam alguns cidadãos de comparecer ao evento.
O movimento teve inicio em 1998 quando uma instituição de caridade sem fins lucrativos, "V-Day", foi constituída com o objetivo de usar apresentações da peça “Os monólogos da vagina” para arrecadar dinheiro para beneficiar mulheres vítimas de violência e abuso sexual.
Uma pesquisa aponta que, no mundo há 07 bilhões de pessoas, sendo que metade são mulheres.
Uma em cada três mulheres no planeta vai ser estuprada ou espancada em sua vida, ou seja, um bilhão de mulheres.
Um bilhão de mulheres violadas é uma atrocidade.
Um bilhão de mulheres dançando é uma revolução.
Um bilhão que se ergue é:
Um ataque global
Um convite para uma dança revolucionária
Uma chamada para homens e mulheres que se recusam a participar da cultura de estupro
Um ato de solidariedade, demonstrando a indignação e a força das mulheres de todo o mundo
A recusa em aceitar a violência contra mulheres e meninas
É o nascimento de um novo tempo, uma nova forma de pensar e ser."
No mês que se comemora o Dia Internacional da Mulher, vamos nos erguer e dizer não para toda essa violência contra as mulheres. Vamos nos erguer durante todos os dias! Eu estou nessa e ao meu lado tenho dois parceiros de luta, meu marido e meu filho. Lute, dance, erga-se! Este grito não é meu... este grito é nosso!

Beijinhos...

Câmbio, desligo!

3 de mar de 2013

Vivendo de sombras...

Olá, queridos blogosféricos!!

Participei de um curso de formação, durante a semana que se passou e uma das leituras que nos foi apresentada foi uma história em quadrinhos do Maurício de Sousa. Eu já havia visto a HQ em questão(que vocês poderão ler ao final desta postagem). Ao rever, achei que seria interessante compartilhar com vocês.

A sequência de tirinhas que segue abaixo, "As sombras da vida", foi uma pequena 'brincadeirinha' (muito bem sacada, por sinal!) do querido Maurício de Sousa, inspirada em uma das passagens mais clássicas da história da filosofia, a Alegoria da Caverna, de Platão (também conhecida como "Mito da caverna". Quem não conhece, eu recomendo que leia. É muito interessante! Aliás, acho fundamental que todos tenham acesso a leitura desse texto. Andei "cavucando" pelo papai "gúgol" e encontrei um site com o texto na íntegra: aqui).

No entanto, o mais interessante foi que lembrei de ter visto essa tirinha quando estava lendo, já há algum tempo, um texto da Marilena Chaui(de quem sou admiradora!). 

Diante disso, vou disponibilizar primeiramente o texto Mito da Caverna por Marilena Chaui e logo abaixo a HQ "As sombras da vida".
Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do Sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas sombras dos outros e de si mesmos porque estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam pro­jetadas como sombras nas paredes do fundo da caver­na. Do lado de fora, pessoas passam conversando e car­regando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres e animais cujas sombras também são projeta­das na parede da caverna, como num teatro de fanto­ches. Os prisioneiros julgam que as sombras de coisas e pessoas, os sons de suas falas e as imagens que trans­portam nos ombros são as próprias coisas externas, e que os artefatos projetados são seres vivos que se movem e falam.Os prisioneiros se comunicam, dando nome às coisas que julgam ver (sem vê-Ias realmente, pois estão na obs­curidade) e imaginam que o que escutam, e que não sabem que são sons vindos de fora, são as vozes das pró­prias sombras e não dos homens cujas imagens estão projetadas na parede; também imaginam que os sons produzidos pelos artefatos que esses homens carregam nos ombros são vozes de seres reais.Qual é, pois. a situação dessas pessoas aprisionadas? Tomam sombras por realidade, tanto as sombras das coi­sas e dos homens exteriores como as sombras dos artefa­tos fabricados por eles. Essa confusão, porém, não tem co­mo causa a natureza dos prisioneiros e sim as condições adversas em que se encontram. Que aconteceria se fossem libertados dessa condição de miséria?Um dos prisioneiros, inconformado com a condição em que se encontra, decide abandoná-Ia. Fabrica um instru­mento com o qual quebra os grilhões. De início, move a ca­beça, depois o corpo todo; a seguir, avança na direção do muro e o escala. Enfrentando os obstáculos de um cami­nho íngreme e difícil, sai da caverna. No primeiro instante, fica totalmente cego pela luminosidade do Sol, com a qual seus olhos não estão acostumados. Enche-se de dor por causa dos movimentos que seu corpo realiza pela primei­ra vez e pelo ofuscamento de seus olhos sob a luz externa, muito mais forte do que o fraco brilho do fogo que havia no interior da caverna. Sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Incredulidade porque será obri­gado a decidir onde encontra a realidade: no que ago­ra ou nas sombras em que sempre viveu. Deslumbramento (literalmente: ferido pela luz) porque seus olhos não con­seguem ver com nitidez as coisas iluminadas. Seu primei­ro impulso é o de retornar à caverna para livrar-se da dor e do espanto, atraído pela escuridão, que lhe parece mais acolhedora. Além disso, precisa aprender a ver e esse aprendizado é doloroso, fazendo-o desejar a caverna on­de tudo lhe é familiar e conhecido.Sentindo-se sem disposição para regressar à caverna por causa da rudeza do caminho, o prisioneiro permanece no exterior. Aos poucos, habitua-se à luz e começa a ver o mundo. Encanta-se, tem a felicidade de finalmente ver as próprias coisas, descobrindo que estivera prisioneiro a vi­da toda e que em sua prisão vira apenas sombras. Dora­vante, desejará ficar longe da caverna para sempre e luta­rá com todas as suas forças para jamais regressar a ela. No entanto, não pode evitar lastimar a sorte dos outros prisioneiros e, por fim, toma a difícil decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos demais o que viu e con­vencê-los a se libertarem também.Que lhe acontece nesse retorno? Os demais prisioneiros zombam dele, não acreditando em suas palavras e, se não conseguem silenciá-lo com suas caçoadas, tentam faze-lo espancando-o. Se mesmo assim ele teima em afirmar o que viu e os convida a sair da caverna, certamente aca­bam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns podem ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidir sair da caverna rumo à realidade. O que é a caverna? O mundo de aparências em que vi­vemos. Que são as sombras projetadas no fundo? As coi­sas que percebemos. Que são os grilhões e as correntes? Nossos preconceitos e opiniões, nossa crença de que o que estamos percebendo é a realidade. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz do Sol? A luz da verdade. O quê é o mundo iluminado pelo sol da verdade? A realidade. Qual o instrumento que liberta o prisioneiro rebelde e com o qual ele deseja libertar os ou­tros prisioneiros? A Filosofia. 

Marilena Chaui – Convite a Filosofia
Texto retirado do site Cultura Religare







 
 
As tirinhas foram tiradas do site http://www.monica.com.br
Espero que tenham gostado.
Beijinhos e abraços...
Câmbio, desligo!